DROGAÇÃO (DROGA X PERDIÇÃO

Jogral

Supremas, no alto
Duas lágrimas quentes perdidas
buscam fugir de meus olhos.
QUE DROGA!
Cá em baixo
Fundo em meu coração
sinto a dor entrando
como cortante navalha.
QUE DROGA!
Incômoda, no alto
Uma lembrança me afirma
que prejudiquei um mundo
fruto da gratuidade.
FOI A DROGA!
Busquei desvairada a definição
Do amor e me disseram:
Realização. Encontro. Vida.
Só isso?
Talvez algo mais além disso.
E eu não pude compreender.
Num momento apenas
O erro impensado
Uma vida atrofiada
Torpemente violentada
O prejuízo desmedido.
QUE DROGA!
Falei, sem esperar resposta
Agredi, sem dar chance de defesa
Matei a reciprocidade.
Matou-me a individualidade.
QUE DROGA!
E no esmorecimento da ausência
No submundo da violência
dormi no desconhecido
Sonhei nos sonhos da noite
os pesadelos do dia.
VIOLÊNCIA NÃO!
Senti as agruras da minha pseudo-vida.
Vi meu corpo desafinhar
sem sangue, sem nutrição, sem vontade.
FOI A DROGA!
E a punição que impôs-me a vida
Num gesto de desafeto
Apunhalou-me a defesa.
Uma escolha cruel
até pior que um cálice de fel
que alguém não sorveu e me deu.
VIOLÊNCIA NÃO!
Tudo que de mim restou
está enfim depositado
Maldade e bondade
no imenso arquivo cerebral
onde tudo que nos consome
é guardado secretamente
para o resgate final...OU BEM OU MAL...
AINDA HÁ TEMPO PARA O AMOR!